Para entender a calvície genética é preciso saber como e porque ela se manifesta. Tenho certeza que a grande maioria das pessoas já deve ter escutado falar sobre a testosterona, um hormônio masculino, ser a vilã da queda capilar. Apesar deste fato não ser uma verdade, a testosterona não deixa de participar do processo de alguma forma, sendo a matéria prima para a formação de um outro hormônio, este sim, um vilão da calvície.
Neste texto, vamos dar nomes aos bois, e entender realmente quem são os verdadeiros responsáveis pela calvície androgenética (queda capilar genética), e o que fazem os verdadeiros causadores deste processo.
Para que alguém tenha calvície genética é preciso primeiramente haver certa predisposição que foi transmitida geneticamente pelo pai ou pela mãe. É errado acreditar que o pai ou a mãe tenham necessariamente que ser calvos ou terem pouco cabelo. É sabido que a calvície genética pode pular gerações e que membros de uma mesma geração podem ter graus diferentes de calvície comparando-se uns aos outros.
Uma vez predisposto o indivíduo com tendência à calvície, ao entrar na puberdade começa a produzir testosterona e, a partir dela um outro hormônio conhecido como deidrotestosterona (DHT). A DHT, esta sim, é o hormônio causador da calvície, uma vez que irá se ligar ao DNA das células das raízes dos cabelos fazendo com que as mesmas trabalhem cada vez menos. Com isto os folículos vão ficando atrofiados de forma gradativa e os cabelos que estavam em seu interior caem mais do que o normal sendo substituidos por cabelos mais finos, curtos e frágeis. Assim, o couro cabeludo começa a manifestar uma cabeleira mais rala e as entradas e coroas começam a aparecer.
Para que a testosterona dê origem à DHT há a necessidade da ação de uma enzima, a 5-alfa redutase. Acredito que se há um vilão nesta história este não é necessariamente a DHT, mas sim a 5-alfa redutase. Não fosse pela presença dela a testosterona não seria utilizada para formar o DHT e consequentemente a calvície não se manifestaria.
É neste princípio que se baseiam os atuais tratamentos da calvície. Inibir a ação da enzima 5-alfa redutase impede a formação da DHT e o processo de atrofia do folículo não se manifesta. Com isto podemos ter a interrupção do quadro e a melhora dos cabelos.
Para concluir, podemos dizer que a calvície androgenética é dependente de hormônios masculinos para ocorrer (seja em homens ou em mulheres), porém não ocorreria se não houvesse predisposição genética e o trabalho da enzima 5-alfa redutase que transforma a testosterona em outro hormônio, a DHT, e, este sim, agindo de forma lesiva no folículo piloso para fazer a calvície se manifestar.
Dr Ademir Júnior
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