Os Congressos Mundiais de Pesquisa em Cabelo acontecem a cada 3 anos e normalmente mesclam temas de grande interesse para quem atua na área clínica, cirúrgica e pesquisadores das áreas da biologia, genética, cosmetologia, farmácia e química. Este ano o Congresso aconteceu em Cairns na Austrália e tive o prazer de poder participar.
É fato que nem todas as apresentações são interessantes para médicos, uma vez que muitas delas acabam se aprofundando em temas relacionados a assuntos que ainda estão distantes da prática médica, mas que ainda assim elucidam muito sobre as propriedades dos cabelos.
Mesmo assim, a grande maioria dos assuntos desperta interesse do clínico em dermatologia e tricologia por abordar temas comuns para quem atua diretamente com pacientes. Um exemplo das palestras que foram abordadas logo no primeiro dia de congresso foram: queda de cabelos em mulheres afrodescendentes e o uso do Trichoscan no diagnóstico capilar e novidades no tratamento da alopecia areata.
O motivo pelo qual alguns pacientes calvos acabam não recuperando seus cabelos completamente com o tratamento medicamentoso foi especulado e, sendo confirmado, novas terapias para a melhora destes pacientes poderão surgir no mercado.
Células tronco e a atuação em genes específicos da queda capilar foram assuntos correntes. Afirmo que fiquei um pouco chateado com os atuais resultados das pesquisas com células tronco. Parece que se passaram 3 anos do último congresso e nada de muito claro se mostrou da fato. Por outro lado, as pesquisas sobre genes relacionados à quedas de cabelos evoluiu muito e trouxe informações bem interessantes. Acredito que, em virtude do que foi apresentado, o caminho da genética será mais fácil de ser trilhado do que o das células tronco na solução dos problemas capilares.
Alguns hormônios tiveram seu papel de vilões comprovados, enquanto outros mostraram seus benefícios na saúde dos cabelos e na proteção contra as quedas capilares.
Mitos e verdades sobre a calvície foram discutidos e mais uma vez a questão do uso de chapéus e até mesmo da higiene foram descartados como causas de queda capilar. Esta última, a falta de higiene, só foi considerada mito quando o paciente não sofre de dermatite seborréica. Quando provoca dermatite seborréica a falta de higiene é sim um fator agravante para quedas de cabelo.
O envelhecimento dos fios foi melhor esclarecido (vide texto: Cabelos envelhecem mesmo e os estudos provam cada vez mais esta realidade), e a relação entre as fases de crescimento e queda dos fios ficou mais clara com a descoberta dos genes relógio (clock). Estes genes agindo nas fases de crescimento e queda dos fios definem uma maior ou menor propensão à perda de cabelos. Controlar estes genes ajudaria a prevenir um grande conjunto de quedas capilares.
Estudos disseram quais são as melhores medicações para as diversas causas de quedas de cabelo. Discutiram o papel dos suplementos nutricionais na saúde dos fios e comprovaram o papel de alguns procedimentos (por exemplo o Dermaroller), no crescimento dos cabelos em áreas calvas.
O impacto emocional em quem sofre com a queda de cabelo foi tema de diversos estudos (vide texto: Mulheres e o desconforto da perda capilar). Nunca se deu tanta atenção ao fato de quedas de cabelo, em geral, promoverem ansiedade excessiva, estresse e quadros depressivos.
O uso de ativos naturais foi tratado e, entre outros, o extrato de eucalipto, o gel de alho, o óleo essencial de bambu e o extrato de crisantemo tiveram maior destaque.
De nossa parte levamos 4 estudos com temas variados para este evento: queda de cabelos em mulheres com síndrome dos ovários policísitcos, casos de alopecia fibrosante frontal (uma doença comum em mulheres), e dois trabalhos sobre queda de cabelo em pacientes que fizeram cirurgia para controlar a obesidade.
De uma forma geral o 6o. Congresso Mundial de Pesquisa em Cabelos foi muito interessante e esclarecedor.
Qualquer dúvidas ou questionamentos sobre os temas que estão em itálico no texto favor entrar em contato pelo e-mail: ademirjr@ademirjr.com.br
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