Nosso corpo costuma trabalhar de forma extremamente efetiva no começo da vida. Muitas são as substâncias envolvidas neste processo, entre mediadores químicos e hormônios, todos regulados por genes que estão dispostos a fazer nosso corpo crescer e desenvolver da melhor forma possível. Assim também ocorre com nossos cabelos e suas raízes
Nesta fase da vida a grande maioria da população pouco manifesta doenças graves. Quando acontecem são, na maioria das vezes, infecções, intoxicações ou alergias. Nestes casos, o meio ambiente com seus microorganismos, agentes intoxicantes e alérgicos mostra sua força contra nossos corpos que desenvolvem mecanismos de respostas a estes tipos de agressão. Ainda assim, estes agentes agressores vem de fora, portanto não estão envolvidos com possíveis mecanismos internos de promoção de doenças.
Na adolescência, quando alguns outros genes são ativados, os primeiros sinais da calvície podem se manifestar. Estes genes são sensíveis a alguns hormônios produzidos nesta época da vida e passam a responder de forma inversa àquilo que fizeram ao longo da infância. O resultado é que, em vez de produzirem um cabelo forte, longo e saudável, passam a produzir um cabelo que fica mais fraco, mais curto e com aspecto de menor saúde. Isto já a partir da adolescência. Porém, só começamos a perceber qualquer rarefação capilar após a perda aproximada de 1/3 da quantidade/qualidade dos cabelos.
Sabendo que as células das raízes dos cabelos estão trabalhando no sentido inverso daquele que trabalhavam na infância, o que podemos crer é que, para interromper o processo de calvície e melhorar os cabelos de nossos pacientes devemos forçar estas células a trabalhar como antes. É certo que, por conta da memória que estas células tem, provavelmente não esqueceram como trabalhavam anteriormente. Só estão sendo forçadas a agir de forma inversa.
Reduzir ou bloquear a atividade dos hormônios que inibem o trabalho celular no couro cabeludo é um dos passos essenciais. Até porque, atualmente, ainda não somos capazes de suprimir os genes da calvície. Creio que mais cedo ou mais tarde os tratamentos da queda capilar terão este foco. Logo, medicações que inibam a ação hormonal no couro cabeludo são importantíssimas. É isto que fazem as drogas como a finasterida, o alfa-estradiol e a Serenoa serrulata.
Porém, não creio que isto seja suficiente. Acredito que para potencializarmos a recuperação devemos estimular a célula naquilo que ela pode fazer de melhor. Introduzir propostas de tratamento que visam melhorar o trabalho celular é essencial. Ai está o segredo do tratamento de sucesso, forçar esta célula a trabalhar como ela fazia antes. É CERTO QUE ELA SE LEMBRA COMO TRABALHAVA NA NOSSA INFÂNCIA, SÓ ESTAVA IMPEDIDA DISTO! Assim, gradativamente estimulamos as raízes dos cabelos que voltam a produzir um cabelo mais forte, longo e saudável. Reforço que os resultados serão gradativos, sempre guardando as proporções da gravidade do quadro. Mas que temos conseguido excelentes resultados com esta conduta, disto não tenho dúvidas.
Em conclusão, podemos dizer que o sucesso do tratamento da calvície está completamente ligado ao fato de estimularmos as células das raízes dos cabelos a trabalhar como faziam na nossa infância.
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