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Hormônios vilões
    Problemas estéticos decorrentes da síndrome dos ovários policísticos pode     ser empecilho

      Atravessar a adolescência já é tarefa complicada para a maioria das garotas. Imagine então encarar as mazelas habituais da puberdade convivendo com excesso de pêlos no rosto e no corpo, obesidade, acne, queda de cabelos e problemas menstruais.

      Infelizmente, é a realidade de 5% a 10% das mulheres em idade reprodutiva que são portadoras da SOP (síndrome dos ovários policísticos), doença provocada pelo desequilíbrio entre os hormônios masculinos e femininos. O nome é auto-explicativo, já que os ovários costumam apresentar maior volume e diversos microcistos, aumentando o risco de câncer no endométrio, infertilidade e diabetes. Nos casos mais severos, o problema tem início com a primeira menstruação.

      Aos 20, a estudante de administração Bruna Guimarães, já convive com a SOP há sete anos, o que lhe garantiu uma adolescência difícil. “Eu descoloria os pêlos do rosto e dos braços, mas eles eram muito longos e apareciam mesmo assim. Eu não gostava de sair ou permanecer em locais claros demais”, conta. “Nem preciso entrar no mérito dos conceitos de beleza das modelos ou da mídia. Estudar com garotas lindas e ser chamada de ‘mulher barbada’ já foi o suficiente para me deixar infeliz”, lembra. Tratamento à base de antiandrogênicos, sessões de laser para remover os pêlos do rosto de forma definitiva e uma dieta que a fez perder 18 kg fizeram Bruna sentir-se mais segura e confiante”. As alterações estéticas que caracterizam o problema afetam todas as mulheres, mas podem ser mais devastadoras na adolescência, porque mexem diretamente com a auto-estima, que já não é o forte dessa faixa etária”, afirma o dermatologista Ademir Carvalho Leite Júnior, autor de "Tem Alguma Coisa Errada Comigo..." (MG Editores, 136 págs., R$ 26), que trata da doença.

      A síndrome é considerada a patologia endocrinológica mais expressiva em mulheres na idade reprodutiva. A má notícia é que o problema não tem cura, devendo ser tratado até a menopausa. A boa é que todos os problemas de saúde e estéticos por ele provocados podem ser controlados.

      A questão é monitorar “desastres” como o aumento de pêlos em áreas como buço, costeletas, queixo, ao redor dos mamilos, entre os seios e na linha abaixo do umbigo, além de seborréia, acne resistente, aumento de peso e escurecimento da pele em locais como pescoço, parte interna das coxas e axilas, condição conhecida como “acantose nigricans”. “Para resolver as questões estéticas, é preciso controlar primeiro a síndrome com a medicação adequada”, diz a ginecologista da Universidade Federal de São Paulo Marcia Gaspar Nunes, especializada em ginecologia endócrina.

      Além dos antiandrogênicos, o problema pode ser tratado com anticoncepcionais. Ainda não se sabe o que causa a SOP, mas pesquisas apontam para um forte componente genético. “A síndrome parece ser poligênica, quando vários genes estão envolvidos na determinação de uma característica”, diz o endocrinologista Márcio Mancini, do Hospital das Clínicas. Outras questões de saúde estão relacionadas a essa patologia. Uma delas é o diabetes tipo 2. Algumas portadoras têm resistência à insulina, diz Mancini, o que faz o pâncreas a produzir maior quantidade desse hormônio para facilitar a entrada de glicose nas células. “O trabalho em excesso pode sobrecarregar as células, que diminuem a produção de insulina, levando a paciente a desenvolver diabetes tipo 2”, afirma Leite.

      Já a infertilidade ocorre por falta de ovulação, uma das características da síndrome. A ovulação pode ser induzida, mas às vezes isso não resolve. “Algumas mulheres produzem óvulos com qualidade ruim, que não conseguem levar uma gravidez adiante”, afirma Márcia.

      Enfim, é uma coleção de bons motivos para tratar o problema o mais rapidamente possível.


Síndrome dos ovários policísticos

» O que é?
Doença que se caracteriza por alterações menstruais, cistos nos ovários, hirsutismo, acne, seborréia, escurecimento da pele, queda de cabelos e obesidade. Começa a partir da primeira menstruação

» Há cura?
Não. Os aspectos da doença devem ser controlados e tratados até a menopausa

» Qual o tratamento?
Depende do caso. Em geral, são usados anticoncepcionais ou antiandrogênicos, dietas, exercícios físicos, tratamentos de pele para acne e aplicações de laser para eliminar o excesso de pêlo

» Quem tem?
De 5% a 10% das mulheres em idade reprodutiva (da primeira menstruação até a menopausa).
O que causa o problema?
Ainda não se sabe com certeza. Médicos e pesquisas apontam para um componente genético

» Podem haver complicações?
As portadoras da síndrome dos ovários policísticos podem desenvolver diabetes tipo 2, infertilidade permanente e correm mais riscos de desenvolver câncer no endométrio

» Quais os agravantes para as adolescentes?
Os aspectos estéticos do problema podem causar baixa auto-estima, depressão, ansiedade e dificuldades no convívio social

» Alterações na aparência
Aumento de pêlos no corpo. Aparecimento de pêlos no buço, rosto, queixo, entre os seios, ao redor dos mamilos e linha abaixo do umbigo. Aparecimento de acne (rosto) e seborréia (couro cabeludo)

» Queda de cabelos
Escurecimento da pele em locais como o pescoço, axilas, porção interior das coxas e virilha

» Obesidade
Alterações nos ovários: aparecimento de microcistos e ovulação irregular ou inexistente.

Possíveis alterações psicológicas: baixa auto-estima, depressão, ansiedade e dificuldade no convívio social.


Fontes: Ademir Carvalho Leite Júnior, dermatologista; Marcia Gaspar Nunes, ginecologista; Márcio Mancini, endocrinologista; Nelson Valente, ginecologista; Taki Cordás, psiquiatra .



Matéria Sobre SOP no site Diário Online
(http://diarioon.com.br/arquivo/3950/cadernos/viver-9708.htm)